Como não sofrer com a formatação de documentos

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Se você vai publicar um artigo, escrever uma dissertação ou mesmo elaborar um documento no seu trabalho, com certeza vai seguir algumas regras de publicação. Elas podem ser ditadas pelo corpo editorial de uma revista (as “diretrizes para autores”), determinadas por um órgão de normalização (como a ABNT) ou até mesmo regidas por algum documento técnico da entidade onde você trabalha (por exemplo, manuais de redação). Seja como for, a formatação de documentos pode ser um problema pra muita gente. Mas será que é possível tornar esse processo menos chato? Felizmente, sim!

Comece com o pé direito

Em vez de escrever livremente seu texto em um bloco de notas, como se fosse um rascunho, comece a trabalhar em um arquivo previamente formatado. Isso é bastante simples e poupa tempo! Quais são as especificações de configuração da folha de papel? Quais as medidas das margens? Qual fonte você deve usar? Qual é o tamanho da fonte? E o espaçamento entre as linhas? Como é configurada a numeração das páginas? Como é feita a organização das seções do documento? Não deixe tudo isso para o final… já comece a escrever o seu texto em um arquivo pré-formatado.

Do macro para o micro

Ok, mas e se você já começou a escrever o seu texto? Nesse caso, é bom ter uma estratégia para formatá-lo. A formatação envolve aspectos macroestruturais, citados acima, que são bem gerais, como a configuração da folha de papel, por exemplo, ou do espaçamento entre linhas… Mas não podemos esquecer dos detalhes, os aspectos microestruturais. Como citar autores? Como destacar as citações diretas? Como são configuradas as notas de rodapé? Como devem ser escritas as legendas de figuras e gráficos? Como destacar palavras estrangeiras? Enfim, essas são questões bem mais específicas. O ideal é partir do macro para o micro. Primeiro, cuide das questões maiores e mais gerais. Depois, dê atenção aos detalhes.

Não deixe a bibliografia para o final

Formatar uma lista de referências bibliográficas pode ser muito trabalhoso. O jeito mais fácil de não sofrer nessa etapa é manter uma lista precisa de todas as obras que você consultou. Ao citar um autor, anote todos os dados relevantes (autoria, obra, ano, página). Ao visitar um site, anote a URL. Mantenha, ao final do documento, uma lista alfabética dos autores citados. Ainda que ela não esteja perfeitamente formatada, é importante não perder de vista os dados essenciais das referências consultadas. Explore ferramentas que podem te ajudar a gerenciar suas referências, como o Zotero. Assim, você não vai se desesperar ao tentar recuperá-las.

Estratégias de naming

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O nome é um dos elementos mais estáveis de uma marca, empresa ou produto. Essa observação é bastante comum entre especialistas em naming e mostra a importância de se pensar em cada passo desse processo. Idealmente, o nome da sua marca deve perdurar e, por isso, tanto tempo é dedicado a encontrar um bom nome. Mas, afinal, o que é um bom nome?

Um bom nome é viável

Em outras palavras, um bom nome é aquele que você pode registrar. É chato dizer isso, porque pode parecer um balde de água fria, mas é de extrema importância manter expectativas realistas sobre quais nomes são potencialmente registráveis e quais não passarão.

Um bom nome é motivado

Isso quer dizer que um bom nome não é acidental e nem fruto do acaso.* Ele funciona porque foi pensado e talhado cuidadosamente para determinado negócio, segmento, marca ou produto. Um bom nome é intencional, não só no nível conceitual, mas também no seu nível mais concreto. Se você adiciona um diacrítico diferente, grafa uma palavra com uma letra pouco usual no alfabeto da sua língua ou opta por duplicar consoantes… isso deve ter um porquê.

Um bom nome funciona na prática

Basicamente, um bom nome deve funcionar em todas as suas ocorrências, isto é, na escrita e na fala. Ele deve ser pronunciável, inteligível e não deve dar vazão a associações infelizes, acidentes gráficos (ilusões visuais que fazem uma palavra ser lida como outra, por exemplo), humor involuntário ou cacofonia. Pense que o nome possivelmente vai aparecer na forma impressa ou digital, abreviada, ao lado de outras palavras, da tagline… enfim! Prever e testar a ocorrência do nome em diferentes ambientes é uma forma de ver como ele se comporta na prática.

Isso faz parte do que chamamos de estratégias em naming. Mas elas não são as únicas! E claro que um bom nome também ganha vida própria e interage com outros elementos (visuais e verbais) que compõem o universo de uma marca. Ele cresce e se conecta sem esforço à sua história para se tornar ideal, ótimo, incrível.

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* Leitores atentos podem se perguntar a respeito de nomes como Apple ou Amazon, que batizam duas das maiores empresas do mundo. Dados por seu criadores e escolhidos com base em associações que estes fizeram, esses nomes nem de longe são acidentais ou aleatórios. Apple foi o nome escolhido por Steve Jobs por soar “divertido, espirituoso e não intimidador”. Já Amazon foi o nome escolhido por Jeff Bezos por remeter à grandiosidade do rio Amazonas. Seja como for, muitas marcas de sucesso não foram batizadas por seus criadores, mas sim por times de especialistas em léxico e criativos, como Blackberry, Pentium, entre outras.

Como avaliar a credibilidade de um texto?

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Um texto pode ser incrível de muitas maneiras. Ele pode ser extraordinário, único e inspirador, mas também pode ser simplesmente “não crível”. A falta de credibilidade das informações que consumimos é uma questão séria. Felizmente, há meios de determinar o quanto podemos confiar no que estamos lendo.

Fontes primárias e secundárias

As fontes primárias incluem, entre outros, documentos originais, diários, manuscritos, discursos, entrevistas, cartas e documentos oficiais. Já as fontes secundárias interpretam e analisam as fontes primárias, como, por exemplo, manuais, textos críticos, comentários, enciclopédias, livros-texto, entre outros. Saber distinguir entre esses dois tipos de fonte pode ser um excelente instrumento para avaliar a credibilidade do que você está lendo. Se você tem dúvidas sobre o conteúdo de um texto que repercute uma entrevista, por exemplo, o mais adequado é ir à fonte primária, isto é, ler a entrevista propriamente dita para tirar as próprias conclusões.

Olha só quem está falando

A autoria é muito importante. Um artigo recente criticou a divulgação de conhecimento científico por celebridades (leia aqui o texto que questiona os conselhos da atriz Zoey Deschanel sobre alimentação). Não queremos dizer que todo doutor ou especialista deva ter credibilidade automática. A questão é mais delicada! Também devemos considerar conflitos de interesse, por exemplo. Mas o mais importante é entender que a autoria é um excelente guia na hora de determinar credibilidade. Textos assinados por especialistas, no geral, são mais confiáveis.

Quem publica

Textos acadêmicos devem passar por um processo rigoroso de avaliação, a chamada revisão pelos pares (ou peer-review). O mesmo não acontece com textos jornalísticos. Mais uma vez, não há qualquer conclusão automática a se tirar disso. No entanto, saber que há uma diferença entre o processo de divulgação de ambos os textos nos ajuda a ter discernimento na hora de avaliar o que lemos. Levar em conta a entidade publica também é fundamental. Em meio impresso e digital, a fonte nos dá muitas pistas de credibilidade. As URLs podem dar maior ou menor peso de autoridade ao que está escrito: .gov.br indica um site governamental, universidades brasileiras geralmente usam o domínio .br, e por aí vai.

A atenção à linguagem

Não é exagero dizer que erros de gramática e ortografia também tiram a credibilidade de uma fonte. Em geral, publicações confiáveis passam por um processo de edição e revisão que busca tornar o texto bem estruturado e livre de erros e ambiguidades. Enfim, uma combinação de todos esses pontos nos ajudam a reconhecer um texto verdadeiramente incrível, no melhor sentido da palavra.

O que é uma consultoria linguística?

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Muitas pessoas perguntam o que é uma consultoria linguística e querem saber, afinal, o que a Amora faz. Muitas acham que é “uma empresa de revisão” ou que é “uma empresa de tradução”. Na verdade, esses são alguns dos serviços que a Amora oferece.

Primeiro: o que é consultoria?

Em um artigo bem didático, Zimmer explica a distinção entre consultoria e assessoria. Ambas são similares, pois envolvem a resolução de problemas por profissionais especializados em determinada área do conhecimento. Mas há diferenças importantes. A assessoria envolve o trabalho em projetos de longo prazo, e um assessor pode assumir posições de liderança dentro de uma organização. Já a consultoria diz respeito à resolução de problemas específicos, geralmente com atuação de especialistas em projetos mais curtos.

Segundo: o que é linguística?

A Linguística (com letra maiúscula) é uma ciência. Seu objeto de estudo são os fenômenos das línguas naturais. Ela se subdivide em vários subdomínios que incluem fonética, fonologia, morfologia, sintaxe, semântica, pragmática, linguística histórica e sociolinguística. Mas a linguística também é um adjetivo que qualifica tudo aquilo que é relativo à língua como meio de comunicação (Houaiss). Na Amora, temos compromisso com os dois usos do termo. Quando escrevemos no blog sobre fenômenos diversos das línguas, nosso objetivo é instigar as pessoas a conhecerem mais sobre essa ciência. Assim como quando promovemos eventos sobre Linguística para o público geral. E a Amora também trabalha com tudo o que diz respeito ao uso da língua.

Dedicação à palavra e ao texto

A consultoria linguística oferece um olhar de especialista a um problema (desafio ou demanda) que envolva a linguagem. Pode ser a adaptação de um texto sobre saúde escrito em linguagem técnica, que deve ser mudado para alcançar um maior número de pessoas. Pode ser a redação de um parecer técnico que explique as propriedades sonoras e morfológicas de determinado nome, de modo que este seja aceito como uma opção legalmente viável para uma empresa. Pode ser a tradução de um livro sobre tipografia, que ainda não tem um vocabulário consolidado em língua portuguesa. Enfim, há muitos campos de atuação possíveis para a consultoria linguística, e a Amora gosta de atuar em todos eles.

Comunicação, conversa e o princípio da cooperação

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Quando nos comunicamos, nossas conversas não são uma sequência de observações desconectadas umas das outras (embora na Internet muitas vezes elas pareçam ser). Em Logic and Conversation (1975), o filósofo da linguagem H. Paul Grice observou que as conversas são “esforços cooperativos” (esse artigo é uma excelente leitura e bem fácil de achar).

Quando conversamos, cooperamos

Você acaba de conhecer uma pessoa e ela começa a contar uma história: “hoje de manhã, minha irmã me ligou e… ”. Você não vai interrompê-la e dizer “O quê? Você tem uma irmã?!”. Não. Você vai acomodar essa informação nova com naturalidade e ouvir o que ela tem a dizer na sequência, que provavelmente é mais importante. Se alguém diz, numa conversa casual, “cheguei em casa umas 3h”. Você não vai perguntar “sério?! Umas 3h? Isso quer dizer 2h59 ou 3h01? Pra mais ou pra menos?”. Você vai acomodar essa imprecisão porque ela é irrelevante. E se eu digo que estou com fome e, na sequência, pergunto o que tem na geladeira, você provavelmente não vai responder listando itens não comestíveis. “Ah, tem uma garrafa de água, uma bisnaga de super bonder, duas gavetas para guardar legumes, uma bandeja porta-ovos… e uma pizza”. A menos que isso seja um tipo de brincadeira, você vai fazer o possível para dar uma contribuição informativa e relevante (i.e., “tem pizza!”). Mesmo que a pergunta não tenha sido específica: “O que tem pra comer na geladeira?”. Há vários exemplos de como somos cooperativos nas nossas conversas diárias. Mas esse espírito de cooperação desaparece de tempos em tempos. Uma forma de tentar mantê-lo vivo é observar as máximas descritas por Grice.

As máximas conversacionais de Grice

  • A máxima da quantidade: dê todas as informações necessárias, e não mais do que isso.

  • A máxima da qualidade: não dê informação falsa ou que não seja comprovada por fatos.

  • A máxima da relação: seja relevante e fale de fatos que realmente têm a ver com o que está sendo discutido.

  • A máxima do modo (ou maneira): seja perspicaz, breve, organizado. Evite ambiguidades, verborragia e expressões obscuras.

A importância das máximas

Claro que as máximas vão servir ao propósito da conversa em questão. O exemplo anterior da hora pode não fazer sentido em um tribunal, por exemplo, onde a precisão é relevante. Mas o importante aqui é compreender a ideia geral das máximas, ignorando um pouco algumas complicações. Seja qual for o tipo de conversa, não há nada pior do que receber uma enxurrada de dados e informações falsas que não dizem respeito ao que está sendo discutido e que ainda estão mal estruturadas—uma violação das quatro máximas. A máxima da quantidade assegura que a sua contribuição seja informativa o bastante para o contexto da conversa que está acontecendo. Prover muita informação (como no exemplo da geladeira) seria uma forma de violar essa máxima. O seu interlocutor muitas vezes não saberá o que fazer com ela. A máxima da qualidade segue do que Grice chamou de uma supermáxima: “Try to make your contribution one that is true”, ou tente fazer uma contribuição verdadeira. Portanto, não repassar informação que você acredita ser falsa ou informação para a qual você não tem comprovação adequada. Uma máxima simples a ser seguida por qualquer pessoa comprometida com uma conversa séria. A multiplicação de notícias falsas é um exemplo de violação da máxima da qualidade. Aliás, a escolha do termo fake news por si já seria uma violação da máxima do modo, se considerarmos que se trata, para a maioria das pessoas, de uma expressão obscura. Mas vamos falar disso adiante. A máxima da relação assegura a relevância do que está sob discussão. Essa máxima é bastante complexa, como o próprio Grice reconhece. O exemplo anterior da geladeira ilustra também uma violação dessa máxima! Ao listar itens não comestíveis presentes na geladeira, o interlocutor se desviou daquilo que era relevante no momento da conversa. Finalmente, a máxima do modo, segundo Grice, tem menos a ver com o que é dito e mais a ver com como é dito. Aqui podemos incluir algumas batalhas linguísticas sobre escolhas terminológicas e as divisões que o emprego de um ou outro termo é capaz de criar. Nessa categoria, Grice também inclui uma supermáxima: “be perspicuous”, ou “seja claro”. Há, segundo Grice, outras máximas que regem as nossas trocas, de natureza estética, social, moral. Uma delas sugere “seja educado”. E talvez esse seja um excelente começo para mantermos os nossos esforços cooperativos.

Criatividade da linguagem e formação de novas palavras

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A criatividade é geralmente associada à ideia de imaginação, originalidade e produção artística. Mas ela é também uma propriedade das línguas em geral que pode passar despercebida.

O potencial criativo da linguagem

Somos capazes de falar sobre inúmeros assuntos: de eventos que aconteceram em nosso dia a sonhos estranhos. Todos podem ser narrados. Como muitos linguistas já observaram, somos capazes de falar do mundo real, mas também de um mundo imaginário. Falamos do passado, do presente e do futuro. A língua é, como se diz, um "sistema criativo" que nos permite a liberdade de criar (e entender) novas sentenças. Essa criatividade, contudo, não é irrestrita ou desgovernada.

Restrições e princípios de formação de palavras

Pensemos na nossa capacidade de criar novas palavras com base em palavras já conhecidas (veja um exemplo aqui). Há regularidade nesse processo. Em português, se criamos um novo verbo com base em um nome, vamos usar a terminação em -ar, que seria "a mais básica". Se vamos usar um sufixo já conhecido para gerar novas palavras, seguimos regras da morfologia da língua.

Espaço para a inovação

Por exemplo, um jornal de Brasília recentemente tem usado o termo buritizável. O processo de criação dessa palavra é o seguinte: de (Palácio do) Buriti, passamos ao verbo (inventado) buritizar e, em seguida, ao adjetivo buritizável. Ao encontrar essa nova palavra, nós a interpretamos imediatamente. Assim, ao menos no campo das línguas, podemos associar a ideia de criatividade a um espaço possível onde a inovação pode ocorrer.

Bacharela, generala e outras palavras que o ouvido estranha

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Às vezes, a língua portuguesa pode parecer esquisita. Imagine só que, se esta for a sua língua materna, a relação que vocês mantêm é natural e automática. É como a sua respiração. Você usa a sua língua materna, assim como respira, sem pensar nos mecanismos que estão por trás disso. E talvez por isso a gente superestime o nosso conhecimento.

Palavras “estranhas”

Se uma palavra ou construção não nos soa familiar logo de cara, desconfiamos dela. Uma discussão recente que gerou dúvidas foi a seguinte: existe bacharela? Isto é, a forma feminina de bacharel. Segundo o dicionário, sim (v. Houaiss). Outra que também existe (e que uma grande amiga indicou) é a forma generala (discutida aqui).

Questões de uso

O uso, contudo, consagra outra forma: o bacharel, a bacharel. Esse uso entende que "bacharel" seria uma palavra "de dois gêneros", como jornalista, por exemplo (para a qual temos o jornalista e a jornalista, e não *o jornalisto). Seja como for, bacharela, a palavra esquisita, existe. E há muitas outras nas quais esbarramos em textos variados...

O que revisores de texto devem fazer

Trazendo a discussão para o universo de quem trabalha com a palavra escrita: revisores de texto profissionais devem manter um equilíbrio saudável entre confiar e desconfiar dos próprios instintos na hora de ler e corrigir um texto. Aqui quem lê o blog com mais assiduidade ouvirá um eco: o dicionário é sempre um grande amigo nessas horas.

Produção de texto: esqueça a tirania do produto final

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Na hora de produzir um texto: esqueça a tirania do produto final. Este é um excelente conselho de William Zinsser para quem vai escrever um texto.

A ansiedade diante do “texto perfeito”

Às vezes, podemos ter um sentimento de ansiedade induzido pela leitura de textos excelentes, bem-acabados. Imagine que você tenha exemplos a serem seguidos (já falamos sobre isso aqui!), mas que esses exemplos mais atrapalham do que ajudam. É possível olhar para eles de outra maneira.

Não existe fórmula mágica

Um texto excelente não foi magicamente escrito (lembra da história da inspiração?). Ele foi pensado, polido, reescrito. E quando estamos fixados no produto final, no texto perfeito, no artigo impecável... esquecemos de dar atenção a todos os passos prévios que são necessários para chegarmos a essa tão desejada versão final.

Planejamento, pesquisa, rascunho…

Esquecemos do planejamento. Esquecemos da pesquisa. Esquecemos do rascunho. Zinsser fala também da insistência em venerar o “resultado vencedor”. Esse é um importante aprendizado. Parar de venerar o resultado final e passar a olhar com mais atenção o processo.

Evite a linguagem confusa

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"Confusão é a linguagem oficial usada pelas corporações para esconder seus próprios erros". Essa citação é de William Zinsser e foi retirada do seu livro On writing well.

Estratégias que complicam seu texto

O autor ataca as estratégias de camuflagem que algumas empresas, governos e corporações usam para falar de temas difíceis, como demissão, falência e erros. O repertório inclui verborragia, termos complexos para denotar conceitos simples, vagueza, eufemismos, entre outros.

Sua linguagem revela quem você é

Já falamos aqui sobre identidade verbal e sobre a importância da busca de um discurso claro e consistente. Além dos casos que Zinsser aponta, a linguagem confusa também faz parte do discurso de quem não sabe direito o que quer dizer, de quem tenta forjar uma persona que não é autêntica e de quem não pensa no leitor do outro lado.

Clareza acima de tudo

Ao escrever um portfólio de serviços, você deve pensar na melhor maneira de transmitir ideias aos seus leitores. Como suavizar o uso de terminologias? Como explorar o uso de analogias para explicar temas difíceis? Como dividir uma descrição longa em pequenos tópicos, mais amigáveis? Quem compra um produto que requer montagem precisa de instruções claras e bem escritas, além de imagens fidedignas. E avaliar o rótulo de um produto não deveria ser um desafio! A grande conquista é eliminar a confusão e o excesso na escrita, que deve revelar as qualidades positivas de uma marca.

Pra você consultar a obra certa: dicionários, glossários, vocabulários…

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Você sabe qual é a diferença entre dicionário, vocabulário, glossário e léxico? A Amora adora falar sobre esse tema (confira aqui). E a professora Michelle Vilarinho, da Universidade de Brasília, que é especialista, explica tudo sobre as particularidades de cada obra.

O dicionário é a obra que registra palavras da língua comum. O vocabulário é um repertório terminológico, isto é, apresenta termos de uma área de conhecimento ou do saber. Por exemplo, o vocabulário da medicina, da arquitetura, da literatura. Já o glossário é uma lista de palavras de um texto ou uma lista de termos de determinado campo lexical. Todos eles trazem uma definição (entre outras informações, como categoria gramatical, contexto, etc...).

Uma diferença básica entre esses três tipos de obra é a quantidade de palavras ou termos que cada uma registra. O dicionário, por exemplo, é bem mais abrangente do que um vocabulário e um glossário. Finalmente, o léxico é um inventário de termos acompanhados de seus equivalentes em uma ou mais línguas. Uma característica do léxico que o distingue das demais obras é o fato de que ele não traz uma definição, apenas as equivalências. Simples, não?