As gramáticas (no plural)

livro, gramática, amora consultoria linguística.

Há dois conceitos importantes de gramática, que, muitas vezes, são ignorados e podem causar muita confusão. Lúcia Lobato discute esse tema, classificando a gramática como um objeto estático ou dinâmico.

A gramática estática e a dinâmica

A gramática estática seria um compêndio de descrições sobre uma língua. É nessa acepção que falamos da “gramática do Bechara”, por exemplo. A autora destaca também a existência de uma gramática de aspecto dinâmico, entendida como uma faculdade mental própria da espécie humana. Afinal:

"todo membro da espécie humana é capaz de adquirir uma língua, sem qualquer ensino, bastando para tanto a experiência do contato com a língua nos primeiros anos de vida."

Como já chegamos à escola com uma gramática, há muita confusão quando se trata do ensino de português (leia mais sobre o tema aqui).

Linguistas e gramáticos

É fácil se perder em discussões sobre o que, afinal, seria certo ou errado. E também é fácil simplificar o tema dizendo que “hoje em dia pode tudo!”. Linguistas, muitas vezes, aparecem como a figura permissiva e irresponsável. Mas não é nada disso! Lobato, por exemplo, defende que o estudo gramatical não deve ser abandonado, mas que professores também não devem ignorar a gramática dinâmica.

Três razões para não ignorarmos a gramática dinâmica

Primeiro, a autora observa que a mesma gramática que está por trás de palavras e orações também está por trás do texto. Segundo, entender os mecanismos que as línguas em geral usam é importante para dominarmos a escrita. E, finalmente, certos procedimentos de ensino ajudam alunos a reconhecerem a sua gramática interna. Elas são, portanto, compatíveis e complementares.