Bacharela, generala e outras palavras que o ouvido estranha

caderno, amora consultoria linguística, texto

Às vezes, a língua portuguesa pode parecer esquisita. Imagine só que, se esta for a sua língua materna, a relação que vocês mantêm é natural e automática. É como a sua respiração. Você usa a sua língua materna, assim como respira, sem pensar nos mecanismos que estão por trás disso. E talvez por isso a gente superestime o nosso conhecimento.

Palavras “estranhas”

Se uma palavra ou construção não nos soa familiar logo de cara, desconfiamos dela. Uma discussão recente que gerou dúvidas foi a seguinte: existe bacharela? Isto é, a forma feminina de bacharel. Segundo o dicionário, sim (v. Houaiss). Outra que também existe (e que uma grande amiga indicou) é a forma generala (discutida aqui).

Questões de uso

O uso, contudo, consagra outra forma: o bacharel, a bacharel. Esse uso entende que "bacharel" seria uma palavra "de dois gêneros", como jornalista, por exemplo (para a qual temos o jornalista e a jornalista, e não *o jornalisto). Seja como for, bacharela, a palavra esquisita, existe. E há muitas outras nas quais esbarramos em textos variados...

O que revisores de texto devem fazer

Trazendo a discussão para o universo de quem trabalha com a palavra escrita: revisores de texto profissionais devem manter um equilíbrio saudável entre confiar e desconfiar dos próprios instintos na hora de ler e corrigir um texto. Aqui quem lê o blog com mais assiduidade ouvirá um eco: o dicionário é sempre um grande amigo nessas horas.