Criatividade da linguagem e formação de novas palavras

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A criatividade é geralmente associada à ideia de imaginação, originalidade e produção artística. Mas ela é também uma propriedade das línguas em geral que pode passar despercebida.

O potencial criativo da linguagem

Somos capazes de falar sobre inúmeros assuntos: de eventos que aconteceram em nosso dia a sonhos estranhos. Todos podem ser narrados. Como muitos linguistas já observaram, somos capazes de falar do mundo real, mas também de um mundo imaginário. Falamos do passado, do presente e do futuro. A língua é, como se diz, um "sistema criativo" que nos permite a liberdade de criar (e entender) novas sentenças. Essa criatividade, contudo, não é irrestrita ou desgovernada.

Restrições e princípios de formação de palavras

Pensemos na nossa capacidade de criar novas palavras com base em palavras já conhecidas (veja um exemplo aqui). Há regularidade nesse processo. Em português, se criamos um novo verbo com base em um nome, vamos usar a terminação em -ar, que seria "a mais básica". Se vamos usar um sufixo já conhecido para gerar novas palavras, seguimos regras da morfologia da língua.

Espaço para a inovação

Por exemplo, um jornal de Brasília recentemente tem usado o termo buritizável. O processo de criação dessa palavra é o seguinte: de (Palácio do) Buriti, passamos ao verbo (inventado) buritizar e, em seguida, ao adjetivo buritizável. Ao encontrar essa nova palavra, nós a interpretamos imediatamente. Assim, ao menos no campo das línguas, podemos associar a ideia de criatividade a um espaço possível onde a inovação pode ocorrer.