Entre a fala e a escrita

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A palavra escrita, em geral, recebe muita atenção. Seja com relação à sua grafia, ao seu significado ou à sua história. Há muitas pessoas, por exemplo, que adoram uma anedota etimológica. No entanto, a palavra falada parece não ter o mesmo prestígio.

A palavra falada

Kirchner observa que:

"Para a línguística, a palavra falada, e não a escrita, é tida como central para a linguagem humana, por diversas razões. Os seres humanos usam a língua falada há pelo menos 100.000 anos. No entanto, a escrita é um desenvolvimento relativamente novo, com alguns milhares de anos."

O estudo dos sons da língua é de domínio de duas subáreas da Linguística: a fonética e a fonologia (já falamos aqui sobre a importância de se considerar a palavra falada e suas propriedades sonoras).

Fonética e fonologia

A fonética investiga as propriedades dos sons da língua e apresenta subdivisões. Por exemplo, a fonética articulatória estuda a forma como produzimos determinado som. E a fonética acústica estuda as propriedades físicas das ondas sonoras produzidas.

Já a fonologia estuda os padrões de sons das línguas, particularmente os sons que distinguem significados. Para ilustrar, pares como tela/dela e selo/zelo mostram que, no português, /t/ e /d/, assim como /s/ e /z/, são sons (fonemas) que distinguem significados (exemplos de Leda Bisol). Mas nem sempre sons distintos indicam significados distintos. É só pensar nas diferentes pronúncias da palavra tia—uma que ilustre a fala do sudeste e outra a fala do nordeste do Brasil.

A importância da fala

Para os que gostam de curiosidades, os sons presentes nas línguas do mundo não são infinitos. Estima-se, no entanto, que as línguas do mundo chegam a ter 600 consoantes e 200 vogais (ver O'Grady). Por fim, segundo Kirchner, a língua falada merece atenção também porque nem todas as línguas do mundo têm um sistema de escrita estabelecido; nenhuma sociedade se comunica apenas por meio da escrita; e, por fim, as crianças aprendem a falar a sua língua muito antes de aprender a ler e a escrever, mesmo sem qualquer instrução formal. Isso tudo garante à fala um lugar especial.