Introdução à Linguística: línguas, caramujos e estrelas

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"Nem passa pela cabeça de um linguista tentar classificar as línguas do mundo como boas ou ruins, simples ou complexas. Em vez disso, linguistas investigam as línguas da mesma forma que cientistas estudam caramujos ou estrelas — com o objetivo de descobrir como eles funcionam." Essa é uma citação de William O'Grady, tirada de seu livro de introdução à linguística (você pode ler o primeiro capítulo da obra aqui).

A fala de O’Grady desenha uma linha fundamental que delimita o trabalho da Linguística: o estudo científico da gramática. A gramática que aprendemos na escola é um conjunto de normas. Ela é especialmente importante para a língua escrita. Só que, antes mesmo de aprender a escrever, nós basicamente já dominamos a gramática da nossa língua e já somos competentes nela. Linguistas ocupam-se desse segundo tipo de gramática. E é muito útil entender a diferença entre elas.

A sua gramática internalizada, a que você adquiriu quando criança, tem regras que são mais difíceis de acessar. Por exemplo, por que pronunciamos o plural de “casa” de maneira diferente nas sequências “casas brancas” e “casas amarelas”? Faça o teste. Na segunda sequência o “s” que indica plural soa como um “z”. Já a gramática escolar, a gramática impressa, é uma obra instrutiva e de consulta. Suas regras são descritas de maneira explícita (ou deveriam ser!). Essa gramática prescreve as regras de boa conduta ao escrever. Uma gramática já é sua; a outra, você pode aprender.