Problemas da escrita acadêmica

Problemas da escrita acadêmica

"Aquilo que, para uma pessoa, é uma imagem mental clara pode ser uma intimidação para outra pessoa". Essa frase, escrita por William P. Thurston em seu brilhante artigo On proof and progress in mathematics, não poderia ser mais perfeita para ilustrar os problemas da escrita acadêmica. No seu contexto original, a citação fala dos diferentes modos de se pensar sobre matemática e também do desafio de traduzir conceitos mentais em uma linguagem clara e precisa. Aqui, essa citação é usada para falar de uma dificuldade mais geral do mundo acadêmico.

A clareza do texto acadêmico

Muitas vezes, estamos tão centrados em nosso próprio tema que esquecemos como é difícil para uma pessoa “de fora” compreender o que estamos falando. Essa dificuldade pode extrapolar questões de conteúdo. Uma coisa é seu leitor não entender o seu texto porque não é da sua área de especialidade (conteúdo). Outra coisa é seu leitor não entender o seu texto porque você está dificultando a vida dele com uma escrita obscura (forma).

Popularização científica

Se você tiver ambições de popularizar o conhecimento científico, mais uma razão para pensar na sua escrita. Um texto acadêmico deve ser claro, objetivo e explícito. A qualidade da sua produção não é inversamente proporcional ao número de pessoas capazes de te compreender. Pelo contrário! Seu texto será poderoso se mais pessoas puderem te entender. Produzir textos de difícil compreensão não deve ser motivo de orgulho.

Senso de estilo (ou a falta dele)

Steven Pinker detona a escrita acadêmica empolada e cheia de si. Ele é (entre outros) autor de The Sense of Style: The Thinking Person's Guide to Writing in the 21st Century—traduzido para o português por Rodolfo Ilari com o título Guia de escrita: como conceber um texto com clareza, precisão e elegância. Em Why Academics Stink at Writing, Pinker pergunta por que uma profissão que se dedica a transmitir conhecimente é responsável por uma prosa tão desagradável de ler e impossível de entender. Isso não tem sentido, precisamos parar.

Como simplificar as coisas

Há dois conselhos simples que todos podem seguir. Um deles é escolher um “artigo herói”, aquele que te servirá de inspiração. O artigo de Thurston citado acima, por exemplo, é acessível tanto a matemáticos quanto a um público mais geral. É bom colecionar exemplos de boas práticas de escrita acadêmica. Outro conselho é escolher a dedo um leitor que não compartilhe do seu vocabulário. Ele pode te ajudar a escrever de forma mais clara e menos intimidadora.