A relação entre língua e pensamento

glifo amora consultoria linguística

Entre as perguntas comuns que linguistas ouvem, está a dúvida sobre qual seria a relação entre língua e pensamento. A esse respeito, há duas visões primordiais (e discordantes).

A língua guia ou não o pensamento?

Uma visão destaca a arbitrariedade da língua, que pode ser ilustrada, por exemplo, com a citação de Shakespeare: “se a rosa tivesse outro nome, ainda assim teria o mesmo perfume”. A outra visão é a de que a língua guia o pensamento. Para Humboldt, por exemplo, “línguas diferentes constituem diferentes visões da realidade”.

Sem palavra não há conceito?

Dados concretos de línguas do mundo nos ajudam a pensar sobre isso. O italiano não tem palavras para “privacidade” ou “saudade”. O turco não possui gênero gramatical. Mas será que isso quer dizer que os italianos não sentem saudade ou não entendem o conceito de privacidade? E qual seria a implicação da inexistência de gênero gramatical para os falantes de turco?

Uma terceira via

Uma terceira visão, orientada por essas questões, reconhece a existência de uma estrutura conceitual, que seria mais universal, além de particularidades típicas de cada língua. Nessa direção, Steven Pinker defende que a língua não é responsável pela maneira como organizamos a realidade de forma geral. Em vez disso, o autor observa que “a língua determina o modo de conceptualização da realidade quando temos de falar sobre ela” (destaque nosso).